Ontem cheguei em casa e encontrei o meu cachorro nu
Olhando-me com a cara boba e me dizendo bobagens
Não tive medo, nem pressa, nem calma
Só um estranho sentimento bom
A casa exalava um perfume triste
E as roupas no chão, as cadeiras jogadas,
Os copos sujos, a frase feita no banheiro
Indicava que ali havia tido uma festa
Cheguei em casa e meu cachorro estava nu
Com a cara de bobo e olhos vermelhos
No meio de um arsenal de loucuras
Espirrando e tossindo o meu cachorro me olhava
Senti um grande aperto no peito
Uma vontade de chorar
Saudade de coisas que nunca vi
Senti a alegria em sua plenitude
As horas passavam lentas e meu cachorro nu
Me dizia coisas estúpidas, claras
Como se nada melhor houvesse no mundo
Senti paz, amor, felicidade, beleza
Não é todo dia que se chega em casa
E se encontra seu cachorro nu...
...e olha que eu nem tenho cachorro
Escrito por andre nascimento às 17h54
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Canção de Amor Completamente Piegas e Desesperada
Canção de Amor Completamente Piegas e Desesperada
Eu te amo
E amo como se eu fosse uma boba criança
Que espera os pais voltarem de uma festa
Quero ser pra você um sonho de amor
Se em um minuto sequer imagino que me deixas
Perco a cabeça, bebo e me suicido
Quero ser seu homem, seu bicho, seu marido
Quero te levar nas nuvens, te fazer flutuar
Ser um arco-íris em teu rosto, seu sol, seu luar
Esquentar seu frio, saciar sua fome e sede
Te deitar na rede e te fazer amar
Eu quero você minha musa, aquela que abusa do meu amor
E em noites de estrelas quero ver você sendo a estrela
A única mulher da minha vida, para sempre e para sempre mais
E te serei fiel, mais que qualquer Romeu
Te levarei ao apogeu, serei só seu, e de ninguém mais
Vou passar as tardes te fazendo poemas
À noite cantarei Djavan pra você
E de madrugada te amarei com um mais que intenso prazer
Porque o amor é assim: um aperto no peito sem fim
O amor que tenho por você é inferno e céu pra mim
É uma doença que só quem já amou demais sente
Por isso quero sentir isso para sempre
Escrito por andre nascimento às 17h53
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No princípio, agora e depois
No princípio, agora e depois
No princípio eu te amava
Mas com certeza você nem ligava
Então eu lhe quis causar ódio
E não quis ficar de você, nem próximo
No princípio eu chorava
E achava que amor não acabava
Mas amor pode acabar até de súbito
Amor é só aquele que se tem por último
Agora não penso mais em você
Mas se não penso, como posso escrever?
Eu sou poeta, sei dizer porquê
Agora lembro, sorrio, não choro mais
O amor fez mal, mas tudo bem, ficou pra trás
O tempo passa, já tenho outra que me satisfaz
(depois vai acabar, eu sei
ela vai querer mais e eu também
melhor é ficar sem ninguém
vai começar tudo de novo: ainda bem!)
Escrito por andre nascimento às 17h50
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Enquanto esperava por ela fumei onze cigarros
Ela demorou pra caramba e eu olhava as horas
E contava os carros
Depois fui ao orelhão ligar, já era tarde
E senti agonia em esperar
Voltei a perceber que meu coração arde
E a espera é longa como viagens à marte
Então ela chegou com uma cara cínica
E me beijou com desespero
Dizendo saudades e amor
Intensidade e dor e me querendo por inteiro
Eu aceitei aquela esmola
Fazer o quê? Ora bolas...
Sinto uma coisa alegre quando a vejo
Pior então é quando a beijo
Escrito por andre nascimento às 17h49
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Eu sou um tal de amor eterno
Que vaga pelos corações humanos
Não tenho nada além do meu próprio erro
E vivo a vida cometendo enganos
Há noites em que perco as estribeiras
Vejo palavras doces em volta de mim
Desperto desejos em prostitutas e freiras
Mas não sou o Don Juan nem o James Dean
Então volto do sonho com a culpa de lado
Mas raramente me arrependo do que fiz
Algumas coisas me deixam magoado
Tirando isso, até que eu sou feliz
Escrito por andre nascimento às 17h48
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Sei cantar e fazer poesia
É isso que me dá alegria
Sei amar...
Me amo e não sou correspondido
Fico escondido em minha solidão
Gosto do mar, da lua e de estrelas
Gosto também dos contos de fadas
Sei morrer de amor de cem maneiras
E não sei fazer mais nada
Escrito por andre nascimento às 17h46
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Adriana
Adriana
Em que festa você se perdeu, amor?
Em que santuário foi se instalar?
Gosto deste seu cheiro de flor
E desse seu jeito louco de amar
Eu sinto falta de sua cintura gulosa
E dos seus carinhos gostosos
Acho sua pele maravilhosa
E gosto dos seus seios voluptuosos
Mas você se perdeu
Sumiu dentro de mim
E acho que ninguém conheceu
O seu paraíso botequim
Seu beijo pode acabar com a morte
E quem tiver a sorte de tê-los
Poderá sentir uma dor forte em mais querê-los
Ou mais: dor nos cotovelos
Porque você não é de ninguém
E está sempre a fim de ir mais além
Com seus cabelos negros macios
E peitos de firmes mamilos
Sei desse seu corpo moreno
E ninguém que já a teve fingiu que te ama
Eu falo muito, sou até um pouco obsceno
Mas adoro este seu nome Adriana
Escrito por andre nascimento às 17h46
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Eu amo uma mulher
Que pensa que eu não sei
Eu sofro desde a estréia
Falo bobeiras e pareço esquisito
Sou estranho, fico lendo antes de dormir
Apareço em ruas longas
Com grandes pontas duplas no cabelo
Eu amanheço quando a noite entra em mim
Gosto de viajar, de namorar, de me embriagar
De dar vexame e aparecer nos jornais
Em notinhas sociais e escrevendo crônicas policiais
Eu sou o que chamam de amor
E não vou mais fazer aquela serenata
Vou fazer uma galinhada
Tocar guitarra numa noite enluarada
E eu amo uma mulher
Serei dela o quanto ela quiser
E assim que ela me fizer chegar ao nirvana
Mandarei encher de flores nossa cama
Mas ultimamente tenho estado muito só
Sofro muito sendo este noitibó
Sinto que tudo está mudando pra melhor
Tudo isso por que amo uma mulher
Escrito por andre nascimento às 17h35
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Eu queria mesmo era ser modelo
Mas Deus não me fez bonito
Eu queria desfilar e ganhar dinheiro... viajando
Mas não, fui ser esse poeta feio, sem recheio
Meio atordoado e seqüelado por inteiro
Se eu fosse modelo
Nem entrevistas eu daria
Eu seria um lindo chato rico
Exibindo minha face, meu corpo
Minha sensualidade em capas de revista
Eu ficaria admirando a minha beleza
E depois choraria de tristeza
Por não ter tido um verdadeiro amor
Mas pra quê amor?
Eu seria um só sem medo
Se eu fosse modelo
Cheiraria muita cocaína
Sei lá, acho que combina
Viveria em esquinas
E em festinhas cheias de meninas
Eu acordaria cedo
Tiraria fotos, beberia água com gás
Leria livros do Paulo Coelho
E viveria me olhando no espelho
Ah, eu queria mesmo era ser modelo!
Escrito por andre nascimento às 17h35
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Definitivo
Definitivo
Enquanto o sol raiava
As árvores se calaram
E o vento me dizia:
Deixa de lado a poesia,
Abandona essa agonia
Os meus olhos vermelhos
De fato insatisfeitos
Voltaram ao recomeço
Foi a primeira vez que te perdi
Por isso quase nem amanheci
A lua não conseguia me dizer
Por onde andaria você
E eu me senti distraído
Por isso quase te esqueci
Foi a segunda vez que te perdi
Depois da chuva fina
Aprendi a não mais sofrer
Os melhores dias da minha vida
Se passaram como ventos tristes
Nem sei mais se você existe
Queria até voltar a te amar
Queria voltar a sofrer por você
Foi quando eu fui mais feliz
Mas não consegui nada sentir
Foi a terceira vez que te perdi
A poesia só me ensinou uma coisa
Mas eu não consigo dizer
As minhas dores são fortes
Mas eu agüentei
Pela quarta vez te perder
Eu não sei mais como antes
Não tenho certeza de nada
O meu amor era verdadeiro
Nada posso dizer do seu
Foi a única vez que você me perdeu
Escrito por andre nascimento às 17h34
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Complexo de Édipo (ou a loura de olhos verdes)
Complexo de Édipo (ou a loura de olhos verdes)
Desculpa mãe,
Eu nunca tinha reparado na beleza
Dos teus olhos verdes
Logo eu
Que tenho uma queda por olhos verdes
Não. Mentira. Já havia reparado sim,
Mas não como reparo numa mulher
Só te olhava como mãe
Fui egoísta e esqueci de te olhar
Como a mulher que você é
E que mulher! Que mulher!
Desculpe por chorar, mãe
E achar a vida besta e idiota
Por ser seu pequeno rebelde
Sem causa e sem calça
Por ser burro, teimoso e cabeça dura
(o que pode ser a mesma coisa)
Desculpa por gastar boa parte do seu dinheiro
Com bebidas, festas e mulheres
Por acordar no domingo e dançar de cueca
E deixar você pensando que eu sou um doido
Desculpa por te fazer escutar
As minhas músicas barulhentas
E o barulhão que a minha banda faz
Desculpe por te fazer chorar
E não entender que você também pode
Desculpe por não obedecer, depois me arrepender
E não querer escutar você dizer: - “eu avisei...”
Desculpa por mentir
Desculpa por fazer você se orgulhar
De um filho que pode não ser
Tão especial quanto você pensa
Desculpa por te fazer avó tão cedo
Por não querer dividir meus segredos
E chorar a noite inteira
Fazendo assim, você chorar também...
Desculpa por roubar seus cigarros
Por bagunçar a casa
Por não comer verdura
Por não abaixar o som
Desculpa mãe
Por não dizer que te amo
Mesmo que você saiba
Que você é a loura de olhos verdes
Que mais amo nesta vida
Escrito por andre nascimento às 17h33
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Se eu já sofri de amor?
Até hoje. E como dói! E como é bom!
Me faz sentir bem comigo mesmo
Me sinto cósmico e mais importante que os outros
Dá vontade de se matar, morrer de amor,
Mas ainda assim me sinto bem
Pareço Deus e crio meus melhores momentos
Choro. E quando choro sinto felicidade
Em ver meus olhos vermelhos
Dentro do meu espelho quebrado
Me sinto inimaginavelmente bem
Com o meu coração partido
Inexplicável? Não. Elegância, a mais perfeita elegância
Uns me vêem como mestre
Outros como tolo
E conselhos – quem dera – não adiantam
São em vão, são inúteis
A minha dor é o que hoje mais me traz felicidade
Essa dor que sempre começa
Por causa do amor
É que me completa
É por causa dela que me sinto invencível
Escrito por andre nascimento às 17h33
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Não quero mais te querer
Quero te esquecer
Quero parar de sofrer,
Mas, sem querer
Me pego pensando em você
Eu sou só dúvidas
Sou só agonia,
Mas sou só amor
Sou o único amor
Pois o que você não tinha (amor)
Infelizmente acabou
Eu também não quero mais
Só assim terei paz
Cansei de você ser minha meta
Cansei de ser teu poeta
Estou cansado demais
Estou chorando demais
Estou me matando demais
E não há razão pra ser assim
Você faz muito mal
E muito bem pra mim...
Escrito por andre nascimento às 17h30
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Causa II (uma outra história)
Causa II (uma outra história)
Um dia amei outra menina
Pequenina como a minha segurança
E ela era tão linda
Que queria eu ainda ter esperança
Mas depois deixei pra lá...
Escrito por andre nascimento às 17h29
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Quando eu te peguei por trás
Senti alguma coisa a mais
Não foi como da outra vez
Dessa vez te senti feliz
Quando eu te peguei por trás
Você disse: é assim que se faz
E olhou pra mim pelo espelho
Puxando firme o seu cabelo
Escrito por andre nascimento às 17h27
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