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 02/07/2006 a 08/07/2006

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andré nascimento
 


 

Ontem cheguei em casa e encontrei o meu cachorro nu

Olhando-me com a cara boba e me dizendo bobagens

Não tive medo, nem pressa, nem calma

Só um estranho sentimento bom

 

A casa exalava um perfume triste

E as roupas no chão, as cadeiras jogadas,

Os copos sujos, a frase feita no banheiro

Indicava que ali havia tido uma festa

 

Cheguei em casa e meu cachorro estava nu

Com a cara de bobo e olhos vermelhos

No meio de um arsenal de loucuras

Espirrando e tossindo o meu cachorro me olhava

 

Senti um grande aperto no peito

Uma vontade de chorar

Saudade de coisas que nunca vi

Senti a alegria em sua plenitude

 

As horas passavam lentas e meu cachorro nu

Me dizia coisas estúpidas, claras

Como se nada melhor houvesse no mundo

Senti paz, amor, felicidade, beleza

 

Não é todo dia que se chega em casa

E se encontra seu cachorro nu...

...e olha que eu nem tenho cachorro

 

 



Escrito por andre nascimento às 17h54
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Canção de Amor Completamente Piegas e Desesperada

Canção de Amor Completamente Piegas e Desesperada

 

Eu te amo

E amo como se eu fosse uma boba criança

Que espera os pais voltarem de uma festa

Quero ser pra você um sonho de amor

 

Se em um minuto sequer imagino que me deixas

Perco a cabeça, bebo e me suicido

Quero ser seu homem, seu bicho, seu marido

 

Quero te levar nas nuvens, te fazer flutuar

Ser um arco-íris em teu rosto, seu sol, seu luar

Esquentar seu frio, saciar sua fome e sede

Te deitar na rede e te fazer amar

 

Eu quero você minha musa, aquela que abusa do meu amor

E em noites de estrelas quero ver você sendo a estrela

A única mulher da minha vida, para sempre e para sempre mais

 

E te serei fiel, mais que qualquer Romeu

Te levarei ao apogeu, serei só seu, e de ninguém mais

Vou passar as tardes te fazendo poemas

À noite cantarei Djavan pra você

E de madrugada te amarei com um mais que intenso prazer

 

Porque o amor é assim: um aperto no peito sem fim

O amor que tenho por você é inferno e céu pra mim

É uma doença que só quem já amou demais sente

Por isso quero sentir isso para sempre



Escrito por andre nascimento às 17h53
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No princípio, agora e depois

No princípio, agora e depois

 

No princípio eu te amava

Mas com certeza você nem ligava

Então eu lhe quis causar ódio

E não quis ficar de você, nem próximo

 

No princípio eu chorava

E achava que amor não acabava

Mas amor pode acabar até de súbito

Amor é só aquele que se tem por último

 

Agora não penso mais em você

Mas se não penso, como posso escrever?

Eu sou poeta, sei dizer porquê

 

Agora lembro, sorrio, não choro mais

O amor fez mal, mas tudo bem, ficou pra trás

O tempo passa, já tenho outra que me satisfaz

 

(depois vai acabar, eu sei

ela vai querer mais e eu também

melhor é ficar sem ninguém

vai começar tudo de novo: ainda bem!)

 

 



Escrito por andre nascimento às 17h50
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Enquanto esperava por ela fumei onze cigarros

Ela demorou pra caramba e eu olhava as horas

E contava os carros

Depois fui ao orelhão ligar, já era tarde

E senti agonia em esperar

Voltei a perceber que meu coração arde

E a espera é longa como viagens à marte

Então ela chegou com uma cara cínica

E me beijou com desespero

Dizendo saudades e amor

Intensidade e dor e me querendo por inteiro

Eu aceitei aquela esmola

Fazer o quê? Ora bolas...

Sinto uma coisa alegre quando a vejo

Pior então é quando a beijo

 



Escrito por andre nascimento às 17h49
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Eu sou um tal de amor eterno

Que vaga pelos corações humanos

Não tenho nada além do meu próprio erro

E vivo a vida cometendo enganos

 

Há noites em que perco as estribeiras

Vejo palavras doces em volta de mim

Desperto desejos em prostitutas e freiras

Mas não sou o Don Juan nem o James Dean

 

Então volto do sonho com a culpa de lado

Mas raramente me arrependo do que fiz

Algumas coisas me deixam magoado

Tirando isso, até que eu sou feliz

 



Escrito por andre nascimento às 17h48
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Sei cantar e fazer poesia

É isso que me dá alegria

Sei amar...

Me amo e não sou correspondido

Fico escondido em minha solidão

 

Gosto do mar, da lua e de estrelas

Gosto também dos contos de fadas

Sei morrer de amor de cem maneiras

E não sei fazer mais nada



Escrito por andre nascimento às 17h46
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Adriana

Adriana

 

Em que festa você se perdeu, amor?

Em que santuário foi se instalar?

Gosto deste seu cheiro de flor

E desse seu jeito louco de amar

 

Eu sinto falta de sua cintura gulosa

E dos seus carinhos gostosos

Acho sua pele maravilhosa

E gosto dos seus seios voluptuosos

 

Mas você se perdeu

Sumiu dentro de mim

E acho que ninguém conheceu

O seu paraíso botequim

 

Seu beijo pode acabar com a morte

E quem tiver a sorte de tê-los

Poderá sentir uma dor forte em mais querê-los

Ou mais: dor nos cotovelos

 

Porque você não é de ninguém

E está sempre a fim de ir mais além

Com seus cabelos negros macios

E peitos de firmes mamilos

 

Sei desse seu corpo moreno

E ninguém que já a teve fingiu que te ama

Eu falo muito, sou até um pouco obsceno

Mas adoro este seu nome Adriana

 



Escrito por andre nascimento às 17h46
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Eu amo uma mulher

Que pensa que eu não sei

Eu sofro desde a estréia

Falo bobeiras e pareço esquisito

 

Sou estranho, fico lendo antes de dormir

Apareço em ruas longas

Com grandes pontas duplas no cabelo

 

Eu amanheço quando a noite entra em mim

Gosto de viajar, de namorar, de me embriagar

De dar vexame e aparecer nos jornais

Em notinhas sociais e escrevendo crônicas policiais

 

Eu sou o que chamam de amor

E não vou mais fazer aquela serenata

Vou fazer uma galinhada

Tocar guitarra numa noite enluarada

 

E eu amo uma mulher

Serei dela o quanto ela quiser

E assim que ela me fizer chegar ao nirvana

Mandarei encher de flores nossa cama

 

Mas ultimamente tenho estado muito só

Sofro muito sendo este noitibó

Sinto que tudo está mudando pra melhor

Tudo isso por que amo uma mulher

 



Escrito por andre nascimento às 17h35
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Eu queria mesmo era ser modelo

Mas Deus não me fez bonito

Eu queria desfilar e ganhar dinheiro... viajando

Mas não, fui ser esse poeta feio, sem recheio

Meio atordoado e seqüelado por inteiro

 

Se eu fosse modelo

Nem entrevistas eu daria

Eu seria um lindo chato rico

Exibindo minha face, meu corpo

Minha sensualidade em capas de revista

 

Eu ficaria admirando a minha beleza

E depois choraria de tristeza

Por não ter tido um verdadeiro amor

Mas pra quê amor?

Eu seria um só sem medo

 

Se eu fosse modelo

Cheiraria muita cocaína

Sei lá, acho que combina

Viveria em esquinas

E em festinhas cheias de meninas

 

Eu acordaria cedo

Tiraria fotos, beberia água com gás

Leria livros do Paulo Coelho

E viveria me olhando no espelho

Ah, eu queria mesmo era ser modelo!



Escrito por andre nascimento às 17h35
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Definitivo

Definitivo

 

Enquanto o sol raiava

As árvores se calaram

E o vento me dizia:

Deixa de lado a poesia,

Abandona essa agonia

 

Os meus olhos vermelhos

De fato insatisfeitos

Voltaram ao recomeço

Foi a primeira vez que te perdi

Por isso quase nem amanheci

 

A lua não conseguia me dizer

Por onde andaria você

E eu me senti distraído

Por isso quase te esqueci

Foi a segunda vez que te perdi

 

Depois da chuva fina

Aprendi a não mais sofrer

Os melhores dias da minha vida

Se passaram como ventos tristes

Nem sei mais se você existe

 

Queria até voltar a te amar

Queria voltar a sofrer por você

Foi quando eu fui mais feliz

Mas não consegui nada sentir

Foi a terceira vez que te perdi

 

A poesia só me ensinou uma coisa

Mas eu não consigo dizer

As minhas dores são fortes

Mas eu agüentei

Pela quarta vez te perder

 

Eu não sei mais como antes

Não tenho certeza de nada

O meu amor era verdadeiro

Nada posso dizer do seu

Foi a única vez que você me perdeu



Escrito por andre nascimento às 17h34
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Complexo de Édipo (ou a loura de olhos verdes)

Complexo de Édipo (ou a loura de olhos verdes)

 

Desculpa mãe,

Eu nunca tinha reparado na beleza

Dos teus olhos verdes

Logo eu

Que tenho uma queda por olhos verdes

Não. Mentira. Já havia reparado sim,

Mas não como reparo numa mulher

Só te olhava como mãe

Fui egoísta e esqueci de te olhar

Como a mulher que você é

E que mulher! Que mulher!

Desculpe por chorar, mãe

E achar a vida besta e idiota

Por ser seu pequeno rebelde

Sem causa e sem calça

Por ser burro, teimoso e cabeça dura

(o que pode ser a mesma coisa)

Desculpa por gastar boa parte do seu dinheiro

Com bebidas, festas e mulheres

Por acordar no domingo e dançar de cueca

E deixar você pensando que eu sou um doido

Desculpa por te fazer escutar

As minhas músicas barulhentas

E o barulhão que a minha banda faz

Desculpe por te fazer chorar

E não entender que você também pode

Desculpe por não obedecer, depois me arrepender

E não querer escutar você dizer: - “eu avisei...”

Desculpa por mentir

Desculpa por fazer você se orgulhar

De um filho que pode não ser

Tão especial quanto você pensa

Desculpa por te fazer avó tão cedo

Por não querer dividir meus segredos

E chorar a noite inteira

Fazendo assim, você chorar também...

Desculpa por roubar seus cigarros

Por bagunçar a casa

Por não comer verdura

Por não abaixar o som

Desculpa mãe

Por não dizer que te amo

Mesmo que você saiba

Que você é a loura de olhos verdes

Que mais amo nesta vida



Escrito por andre nascimento às 17h33
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Se eu já sofri de amor?

Até hoje. E como dói! E como é bom!

Me faz sentir bem comigo mesmo

Me sinto cósmico e mais importante que os outros

Dá vontade de se matar, morrer de amor,

Mas ainda assim me sinto bem

Pareço Deus e crio meus melhores momentos

Choro. E quando choro sinto felicidade

Em ver meus olhos vermelhos

Dentro do meu espelho quebrado

Me sinto inimaginavelmente bem

Com o meu coração partido

Inexplicável? Não. Elegância, a mais perfeita elegância

Uns me vêem como mestre

Outros como tolo

E conselhos – quem dera – não adiantam

São em vão, são inúteis

A minha dor é o que hoje mais me traz felicidade

Essa dor que sempre começa

Por causa do amor

É que me completa

É por causa dela que me sinto invencível

 



Escrito por andre nascimento às 17h33
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Não quero mais te querer

Quero te esquecer

Quero parar de sofrer,

Mas, sem querer

Me pego pensando em você

 

Eu sou só dúvidas

Sou só agonia,

Mas sou só amor

Sou o único amor

Pois o que você não tinha (amor)

Infelizmente acabou

 

Eu também não quero mais

Só assim terei paz

Cansei de você ser minha meta

Cansei de ser teu poeta

Estou cansado demais

 

Estou chorando demais

Estou me matando demais

E não há razão pra ser assim

Você faz muito mal

E muito bem pra mim...



Escrito por andre nascimento às 17h30
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Causa II (uma outra história)

Causa II (uma outra história)

 

Um dia amei outra menina

Pequenina como a minha segurança

E ela era tão linda

Que queria eu ainda ter esperança

 

Mas depois deixei pra lá...

 

 



Escrito por andre nascimento às 17h29
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Quando eu te peguei por trás

Senti alguma coisa a mais

Não foi como da outra vez

Dessa vez te senti feliz

 

Quando eu te peguei por trás

Você disse: é assim que se faz

E olhou pra mim pelo espelho

Puxando firme o seu cabelo

 

 

 



Escrito por andre nascimento às 17h27
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